Exposição no Rio de Janeiro conta a trajetória do movimento LGBTQIA+

Nos 30 anos do Grupo Arco-Íris, a exposição Amor e Luta visita o passado de grandes nomes da comunidade LGBTQIA+

13.12.23

O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTQIA+ acaba de completar 30 anos. A data está sendo comemorada com a exposição “Amor e Luta” e, além de estar fazendo aniversário, o grupo foi certificado pelo Instituto Brasileiro de Museus, IBRAM, como ponto de memória social.

Reconhecimento esse que é dado a entidades ou coletivos de todo o país que desenvolvam projetos de promoção do patrimônio material e imaterial da comunidade em que estão inseridos.

Representatividade da exposição Amor e Luta

A exposição desenha uma linha do tempo através de painéis ilustrativos, fotos, peças de vestuário e muita cor que apresenta a história do movimento LGBTQIA+ e do Grupo Arco-Íris, que dedica sua existência à defesa da diversidade e dos direitos humanos.

Negriny Venture, 45 anos, pessoa não-binária, maquiadora e ganhadora de um concurso de beleza no mundo transformista no ano de 1996, fala sobre a importância da exposição Amor e Luta: “esse evento é importante porque traz personagens do cenário artístico que começaram lá atrás e nos possibilitaram estar aqui hoje ocupando esse espaço e contribuindo para cultura do Rio de Janeiro”.

Ela termina mencionando alguns nomes de pessoas do passado, muito importantes e que estão fazendo parte da exposição como Claudia Celeste, Rogéria, Elaine Parker, Suzi Brasil, Luana Muniz, Isabelita dos Patins, Alana Silva e outras.

A Coluna da Neuza entrevistou alguns visitantes que também falaram o quão a exposição está sendo importante em representatividade para a comunidade LGBTQIA+.

Abaixo, alguns depoimentos

“Essa exposição é importante porque a gente pode conhecer a nossa história, a história do movimento LGBT que é uma história de resistência. Entender como as coisas chegaram até onde estão. Já conquistamos muitos direitos, mas pra conseguirmos esse tanto de direitos, muita gente lutou antes de nós. Olhando para essa exposição, a gente consegue acompanhar as lutas, os movimentos que aconteceram; isso é importante para as pessoas LGBT ou não, que são mais jovens, entenderem como funcionou todo esse processo até aqui, entenderem que ter direitos é uma luta constante, pois o tempo todo estamos perdendo e ganhando. Com a linha do tempo da exposição a gente consegue ter um panorama da nossa história, entender e se fortalecer para continuar lutando”.

Kai Lopes, 27 anos, intérprete de Libras,  pessoa trans,  não binária, bissexual.

“Desde os 12 anos eu sempre soube que sentia atração igual por homens e por mulheres, eu me descobri aos 12 e, sobre esse tipo de exposição que vem crescendo agora, aparecendo bastante, é muito importante para a comunidade e para a nossa visibilidade. Como antes não tinha muito isso, travei, travei, travei. O bom que agora nós somos notados, por mais que não seja de uma forma completamente boa, como a gente quer, mas agora temos voz. Conseguimos falar, nos expressar”.

Gisele, 19 anos, pansexual.

“Acho legal ter uma exposição dessas em uma estação de metrô como a Carioca, acho que fica mais acessível. Temos exposições em museus, só que às vezes as pessoas não ficam sabendo ou não podem pagar e aqui além de ser passagem, é gratuito. Então, eu acho que muitas pessoas podem vir aqui, conhecer a exposição, conhecer mais sobre a luta LGBTQIA+, as pessoas devem vir até pra conhecer e tirar um pouco da imagem preconceituosa que elas têm porque, as pessoas têm preconceito e, às vezes, por não conhecer, né? Talvez as pessoas vendo essa exposição, entendam um pouco mais e percebam que esse povo está lutando há décadas tentando conquistar direitos”.

Júlia, 21 anos, cisgênero.

“Acho que esse espaço é muito importante porque permite que a gente tenha acesso a conhecimentos que não temos, de maneira mais seccional, como nas escolas, na família, etc. Normalmente as pessoas têm muito preconceito porque não conhecem. Eu acho que esse espaço permite também que tenhamos um pouco de contato com uma luta que já vem de muito tempo, de décadas e que vai se atualizando. Eu acho que o Arco- Iris é uma expressão disso. Ter uma exposição com esse tema, é muito importante, muito atual”

Isabela, mulher trans no início da transição.

Gostou? Saiba mais sobre a exposição Amor e Luta

Além da exposição, você visitante, poderá participar de mesas de debates, seminários, rodas de conversas, lançamentos de livro e revista, shows, visitas guiadas e exibições de curtas e documentários!

O que você está esperando?

O evento está acontecendo na estação Metrô da Carioca, no Centro do Rio

Classificação indicativa: livre

Horário: de segunda a segunda, das 9h às 21h, até o dia 17 de dezembro.

Para mais informações, clique aqui.

    Coletivo Tybyra
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Neuza Nascimento
Após ser empregada doméstica por mais de 40 anos, Neuza fundou e dirigiu a ONG CIACAC durante 15 anos. Hoje é estudante de Jornalismo e trabalha com escrita criativa, pesquisa de campo e transcrições. No Lupa do Bem, é responsável por trazer reflexões e histórias de organizações de diferentes partes do Brasil para a "Coluna da Neuza".
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